Polícia investiga novas denúncias de assédio e manipulação psicológica contra ex-sócio de academia no Rio
31/08/2025
(Foto: Reprodução) Panfleto de canal de denúncias da academia DNA, na Barra da Tijuca
g1 Rio
A 16ª DP (Barra da Tijuca) recebeu novas denúncias contra Nicolay Andrade Faria Ribeiro, ex-sócio da academia DNA, no inquérito que apura acusações de assédio sexual e moral. Ex-funcionárias e ex-alunas relatam ainda terem sido alvo de perseguição quando não atendiam às vontades dele.
Uma das denunciantes descreveu Nicolay como “controlador, abusivo e tóxico”.
"O assédio não acontecia somente de forma explícita nas conversas por WhatsApp, onde ele deixava claro seus desejos, mandava mensagens com informações supostamente 'privilegiadas'. disse Yasmin Romana.
Entre os relatos feitos à polícia, estão:
Insinuações e convites para sair com funcionárias;
Solicitação de fotos íntimas ou em trajes sensuais
Toques, elogios inapropriados, manipulações e promessas de ascensão profissional caso as vítimas obedecessem às vontades de Nicolay
Situações explícitas de humilhação, perseguição e coerção psicológica e emocional
Yasmin relatou ainda que teve que tirar fotos em sessões onde Nicolay escolhia todos os detalhes. Ela diz ainda que nunca pôde ficar com as fotos. "Fotos com roupas, poses, estilos, biquínis e cenários que ele cuidadosamente escolhia, uma a uma".
"Recebi áudios dele perguntando como era a textura da minha boca, se era 'dura ou mole', afirmou Hanna Fonseca. "Já recebi prints com zoom em fotos minhas, questionando minhas tatuagens e perguntando se eu tinha alguma "escondida", contou.
Segundo outra funcionária, o ex-dono da academia pedia fotos e vídeos de partes do corpo dela e de outras funcionárias.
"Nos convidava para sair, frequentar o novo apartamento dele, tentava marcar as reuniões fora do ambiente de trabalho, se insinuava e quando ia na sala dele falar de trabalho ele arrumava uma maneira de falar sobre sexo comigo", relatou Yuan Jiamin, que trabalhou diretamente como secretária de Nicolay no período que a academia era no Grajaú.
A defesa das vítimas, a advogada criminalista Marcelly Reis, afirma que os crimes noticiados envolvem a prática de assédio sexual, perseguição e violência psicológica contra mais de dez meninas, evidenciando a gravidade e a recorrência dos atos.
Procurado, o delegado titular, Neilson Nogueira, afirmou que as autoras das denúncias serão intimadas, priorizando as que moram no Rio de Janeiro. Depois disso, Nicolay será ouvido na delegacia.
Em um termo aberto na 16ª DP, que foi transferido para outra delegacia da Zona Oeste, Nicolay afirma que foi alvo de difamação por uma influenciadora, e que várias mulheres combinaram acusações contra ele, sem ter provas do que alegam.
Procurado pelo g1, Nicolay não respondeu às tentativas de contato até a publicação desta reportagem.
Humilhações e manipulação psicológica
Academia DNA Experience, na Barra da Tijuca
g1 Rio
Além de conversas inapropriadas e situações de assédio sexual, os relatos enviados ao g1 citam momentos de humilhação e manipulação por parte de Nicolay nas unidades do Grajaú, na Zona Norte do Rio, e também na Barra da Tijuca.
"No Grajau já fui obrigada a trabalhar com Covid e em condições absurdas sob pressão psicológica. Eu e muitas outras pessoas da equipe éramos constantemente humilhadas e tratadas com xingamentos e ameaças quando não atendíamos as exigências do Nico", afirmou Yuan.
Uma delas relatou que foi convencida por Nicolay a se matricular em uma faculdade particular para continuar trabalhando na DNA. Os custos da faculdade seriam pagos por ele, o que segundo as denúncias era uma prática comum de "Nico", como é conhecido.
"Fui manipulada a ponto de desistir da minha vaga em uma universidade pública [...] Ele me convenceu de que pagaria uma faculdade particular online para mim, assim eu poderia continuar no estágio. Disse que, se eu não cancelasse minha matrícula na universidade pública, eu não poderia continuar na DNA", relatou Ana Lígia Sangaletti.