Condenado por matar esposa em 2002, empresário é preso após 24 anos em liberdade

  • 26/01/2026
Sérgio Nahas é preso 24 anos após assassinar esposa A polícia prendeu esta semana o empresário Sérgio Nahas, condenado pelo assassinato da esposa, Fernanda Orfali, morta com um tiro no peito em 2002. Ele estava foragido desde 2025 e foi localizado em uma praia da Bahia com o auxílio de uma câmera de reconhecimento facial. Enquanto a família de Fernanda esperava por justiça, Sérgio viveu 24 anos em liberdade, até o processo chegar à instância final. Nesse período, o Brasil mudou leis e ampliou o entendimento sobre a violência contra mulheres. O crime tem quase tantos anos quanto a vítima viveu. Fernanda Orfali foi assassinada em 14 de setembro de 2002, aos 28 anos. Ela estava casada havia seis meses com o empresário Sérgio Nahas, então com 38 anos, com quem havia namorado por um ano. Fernanda era a caçula de quatro irmãos. Naquele dia, horas antes de ser morta, Fernanda esteve na casa do irmão Alexandre. O crime ocorreu no apartamento do casal, no quinto andar de um prédio em Higienópolis, um dos bairros mais nobres de São Paulo. Segundo a família, durante uma briga, Fernanda ligou para um dos irmãos pedindo ajuda para sair de casa. Ela queria se separar. A mala já estava pronta, e Fernanda se escondia no closet. A ligação foi para o irmão mais velho, Júlio, que acionou Alexandre, que morava mais perto. Quando Alexandre chegou ao apartamento, Fernanda já estava morta. A arma usada no crime era de Sérgio Nahas e não tinha registro, assim como outras que ele mantinha no apartamento. Foram dois disparos. À polícia, Sérgio afirmou que Fernanda havia cometido suicídio. Disse que ela se trancou no closet e atirou contra o próprio peito, após errar um primeiro tiro que teria atingido a janela. Segundo ele, a porta foi arrombada depois que ouviu os disparos. Para o Ministério Público, Fernanda foi assassinada. A investigação concluiu que Sérgio Nahas arrombou a porta do closet e atirou na esposa após se sentir ameaçado durante o confronto. "Ela tinha descoberto que ele saía com alguns travestis e que ele fazia uso de drogas. E isso foi, na verdade, também apurado no decorrer do processo. Nós entendemos que aquele momento de possível revelação o levou a esse ato", diz Ricardo Sheiji, advogado da família. Sérgio Nahas foi denunciado por homicídio. Para a promotoria, ele também temia a divisão dos bens caso Fernanda pedisse o divórcio. A defesa insistiu na tese de suicídio e afirmou que Fernanda fazia tratamento para depressão. O laudo da Polícia Técnico-Científica não encontrou vestígios de pólvora nas mãos da vítima. A defesa alegou que a pistola utilizada deixaria resíduos apenas na roupa. "(Os tiros) haviam sido dados por um terceiro, ou seja, a própria vítima não poderia ter disparado aqueles tiros", afirma o advogado. Nahas chegou a ser preso por porte ilegal da arma, mas foi solto após 37 dias por decisão da Justiça. Enquanto aguardava julgamento em liberdade, casou-se novamente e teve dois filhos. Ao longo dos anos, a defesa apresentou sucessivos recursos, que adiaram o desfecho do caso. O julgamento só ocorreu em 2018, 16 anos após o crime. Sérgio Nahas foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a sete anos de prisão em regime semiaberto. A defesa recorreu, e o processo chegou ao Supremo Tribunal Federal. A pedido do Ministério Público, o Tribunal de Justiça aumentou a pena para oito anos e dois meses de prisão em regime fechado. O julgamento seguiu as leis vigentes à época do crime. A Lei do Feminicídio só foi aprovada em 2015. Em junho de 2025, esgotaram-se todos os recursos apresentados por Sérgio Nahas, e o STF confirmou a condenação. A Justiça de São Paulo expediu então o mandado de prisão para o início do cumprimento da pena. Sérgio não foi localizado e passou a ser considerado foragido. Até o último sábado, quando foi identificado por uma câmera de reconhecimento facial na Praia do Forte, na Bahia. Ele estava hospedado em um condomínio de luxo. Com ele, os agentes encontraram cocaína e três celulares. Sérgio Nahas deve ser transferido ainda esta semana para o presídio de Tremembé, em São Paulo. Em nota, a defesa afirmou que Sérgio Nahas já morava há alguns anos na Bahia, inclusive antes da expedição do mandado de prisão. Disse ainda que há pedidos em andamento em cortes superiores e que ele é uma pessoa idosa, com graves problemas de saúde. Segundo Sheiji, o crime cometido por Nahas atualmente receberia uma pena mínima de 20 anos. 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FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/01/25/condenado-por-matar-esposa-em-2002-empresario-e-preso-apos-24-anos-em-liberdade.ghtml


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